Hoje foi, para mim, o dia internacional das contrariedades. Mas o momento da atividade física e a conversa com um dos companheiros me relaxou um pouco. Continuo analisando as estratégias de poder no "Retiro". Percebo que Poder, em si e por si mesmo, é uma adicção terrível. É um dos maiores valores que o Homem persegue e que, como um certo pensador político do séc. XVII dizia, onde há agrupamento social, subjaz relações de e com o Poder. O Estado (ou qualquer instituição que estabeleça regras) rege, por leis, os relacionamentos, para que as necessidades coletivas sejam atendidas. Para isso, o indivíduo deve ter cerceados, reprimidos, alguns desejos e necessidades. Há um filme chamado "V de Vingança" (V for Vendetta) que retrata o risco do totalitarismo como regente da coletividade. E a frase que aparece na imagem congelada, ao lado (trailer do filme) dá no que pensar...
Inicio meu passo de hoje com essas considerações teóricas por experimentar, na pele, como funcionam os sistemas de controle institucionais. Há um ditado (árabe ou chinês, não me recordo) que diz: "Quem fala, não sabe; quem sabe, não fala". A questão, para mim, é estabelecer minhas estratégias de ação dentro deste ambiente hostil onde estou. Somos orientados a expor nossos sentimentos, emoções e pensamentos. Entretanto, me parece que, mesmo onde se espera um tratamento para transtornos mentais e comportamentais, devemos nos manter calados, justamente pelo medo de sofrer coerções físicas e psicológicas. Neste sentido, medo é poder. E este poder, adquirido pelo medo, chama-se terror.
O que fazer, então? Bater de frente e de forma isolada contra esta poder? Tentar, através da comunicação estratégica (leia-se, dizer o que se espera para conseguir o que se quer)? Estabelecer relações amigáveis com os guardiões deste poder (e negociar politicamente barganhas para adquirir primazias)? Usar a máscara do silêncio e aprofundar as razões doentias que me trouxeram para aqui me tratar? Qual a saída?
Recorro, mais uma vez, a Eclesiastes 3.1-8 ("há tempo para tudo"); se há tempo de falar e tempo de calar, a sabedoria deve estar em localizar, no decurso dos momentos, o momento estratégico (o famoso "pulo do gato"). É um jogo de xadrez, no qual o "Retiro" é um tabuleiro repleto de peões, bispos, cavalos, torres, um só Rei e uma Rainha invisível...A ação é operacional, fruto das táticas derivadas da estratégia, advindas da organização do pensamento, rumo a um resultado. Espero, através das reflexões e meditações oportunizadas pelo "Retiro", aprender a lidar com situações, lá fora, longe das "torres de vigia", onde o Poder do Terror é mais patente e cruel, pois, fora do "tabuleiro", o ambiente é mais amplo e complexo.
Acima de tudo, que as experiências aqui vividas fortaleçam minha fé no meu Pai Celestial, que me trata, sempre, com Amor, Bondade, Compaixão, e não com o "Poder do Terror".
Deus é Poder! Qualquer outro poder é ilusório! Freedom for the people! S.P.H.

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