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domingo, 3 de março de 2013

2.out.2012 (6° dia)

Anteontem, partilhei no"grupo" (na verdade, uma simulação de reunião, disseram-me) alguns problemas familiares. Não tive medo de falar sobre o abuso, o abandono e a desorientação pelas quais passei. Em mim, passou o seguinte pensamento: "Tanto faz, pensem o que quiserem, que se danem, não estou aqui para um faz-de-conta". Não vou parar de dizer o que penso, mesmo respeitando a imprudência e o preço que se paga em ser honesto comigo mesmo.
Os companheiros, no geral, têm sido generosos comigo, pacientes, cuidadosos e acolhedores. Peço a Deus todas as noites por todos.
Sinto-me deprimido desde anteontem, não paro de chorar. Ouço louvores que minha esposa gosta e penso na falta que ela e sua força me faz. Sinto-me culpado pelo sofrimento que a fiz e ainda faço passar.
Lembrei-me do trecho de um louvor, em especial: "posso até chorar, mas a alegria vem de manhã"...
Há uma grande contradição em mim: amo com todas as forças minha mulher e meu filho, assim como alguns amigos de caminhada espiritual. Mas como amar o outro se não tenho amor próprio? Onde está minha autoestima? Fico cansado de me sentir tão pequeno e grande ao mesmo tempo. Porque preciso da validação dos outros.

Tenho medo de perder minha fé em Deus e em Cristo. Acho que estou num processo de negação. Anteontem, à tarde, isolei-me das pessoas e só queria fumar e ficar só. Sinto-me sozinho e impotente em romper a solidão.
Culpei meu pai e minha mãe. É difícil conceber que nenhum deles virão me visitar. Ele não quer saber de mim. Ela, caso viesse me visitar, faria um belíssimo espetáculo de como uma mãe ama um filho...
Não queria ser como sou: patético, arrogante, histriônico, compulsivo, desonesto comigo mesmo e com os outros. Estou cansado de sentir autopiedade e culpa. Quero viver uma vida de homem de bem. Sinto inveja dos companheiros ao falarem da dor infligida aos seus pais. Onde estão os meus, para sofrerem também?.
Estou cansado, muito cansado, principalmente de mim.
Ontem à noite, as coisas foram tranquilas, embora muitas questões institucionais muito me incomodem. A comida é gostosa, mas há muito pão e coisas doces. Para os poucos diabéticos, ou pré-diabéticos como eu, a coisa fica difícil. Sinto na pele. A tal ponto que, hoje, não lanchei. O lanche? Adivinha... Pão doce. O jeito vai ser apelar para que o pessoal (leia-se, minha mulher) traga uns pacotes de pão integral para por na geladeira.
A parte boa da noite foi a "reunião". Deu-me até saudade do grupo que comecei a participar fora daqui, há cerca de dois anos atrás (2010). Achei boa a possibilidade de um grupo menor, pois não cansa muito. A parte ruim foi a tensão na hora da distribuição dos remédios. Há um monitor que se utiliza de um tom intimidador, do tipo "qual é o problema?". Isso me irrita muito. Acabei por participar de um bate-boca desnecessário. Falo com meu Técnico de Referência amanhã. Vamos ver se, enfim, saio do "claustro" amanhã. Amanhã, amanhã, amanhã, a manhã, manhã,.....
Desisti, após conversar com um companheiro mais experiente, e resolvi ficar na minha. S.P.H.

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