Por que estou aqui?
Para que
Deus quebrante meu coração, Para que Deus me mostre sua vontade para minha
vida. Para que Deus, através do Espírito Santo, manifeste-se em minha vida.
Estou aqui
porque ameacei a tranquilidade, a paz e o equilíbrio de meu lar (de minha
mulher e de meu filho).
Porque meu
sofrimento psíquico chegou a um ponto que não aguentava mais lidar com o
cotidiano: o trabalho, as pressões financeiras, as demandas familiares, o
sentimento de hipocrisia perante meus irmãos de fé.
Porque não controlei
minha compulsão, herdada pela genética, pelos meus hábitos e companhias
negativas. E, pela minha onipotência, pensei que algum dia poderia ter controle
sobre algo. Meu desejo é me entregar completa e definitivamente a Deus.
Porque sou
uma pessoa fragilizada (que se faz de forte), desnorteada pelo passado,
insegura quanto ao presente e receosa quanto ao futuro. Porque sou deprimido,
ansioso e desesperado por carinho, afeto e reconhecimento (este último, que
nunca chegará de meu pai, que jamais será compensado por ninguém).
Porque sou
egoísta e ponho minhas necessidade e dores em primeiro lugar. E a compulsão
acaba me levando aonde eu penso que queria ir. Porque sinto vontade de fugir de
mim mesmo porque não sei usar a liberdade que Deus me deu para fazer o que me
trará a verdadeira Liberdade.
Porque sou
vítima e algoz de mim mesmo. E já cansei desse jogo infeliz e sadomasoquista de
me autossabotar, com a finalidade de fazer meus pais pagarem por seus erros com
meus fracassos.
Porque sou
arrogante. A arrogância é a arma mais comum dos fracos. E estou cansado de
olhar para o meu próprio umbigo. “Nem o gigante, nem o anão”. Tem sido difícil
me olhar no espelho e não encontrar o reflexo divino que deveria transparecer
em mim.
Porque não
tenho a mesma força de vontade de minha mãe, que provou ao cigarro que ele não
era capaz de dominá-la. Disso, eu tiro que cada um tem suas forças e fraquezas
peculiares, que ninguém é igual a ninguém. Por isso, por mais que eu quisesse,
jamais atenderia às expectativas de minha mãe, de meu pai, de minha mulher ou
de quem quer que fosse.
Enfim,
porque sou um abusador de álcool. Se uma vez fui abusado por quem deveria me
proteger, agora, adulto, o abuso do álcool é uma perversão divertida, ou uma
diversão pervertida, que começa com ansiedade e prazer, mas termina com dor e
depressão, num ciclo que precisa ser rompido, antes que seja tarde, para o meu
bem e dos meus amados.

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