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domingo, 3 de março de 2013

30.set.2012 (4 dias de internação)

Hoje não estou bem: uma mistura de tristeza, revolta e cansaço. Tristeza, por não estar congregando na igreja da qual participo, quando encontro amigos, ensinamentos, em companhia de minha esposa e meu filho. Revolta, por ainda não ter me adequado ao  "Retiro" e à sua proposta, com todas as suas regras (por vezes, contraditórias) e horários (tão adversos aos meus horários). Cansaço, por sentir que, muitas vezes, minha fé é menor que a semente de um grão de mostarda, que às vezes sou cético quanto à espiritualidade, ao sacrifício de jesus, ao Amor de Deus.
Afinal de contas, por que estou aqui? Escuto meus companheiros fazendo partilhas de reparação pelos males causados aos outros, principalmente à família. Não sinto um pingo sequer de remorso pelos meus familiares. Sempre fui o que pode se chamar um bom filho, com boas notas na escola, nunca reconhecido pelos meus esforços e cobrado, muito cobrado, por resultados cada vez melhores. Sinto-me injustiçado. Sacrifiquei projetos de vida para compensar os erros de meu pai, que nos abandonou quando eu tinha 16 anos, por uma mulher poucos anos mais velha que minha irmã.
Sinto-me injustiçado por ter sido abusado sexualmente por um tio, dos 10 aos 14 anos, mais ou menos. Pela omissão de minha mãe que, mesmo após saber do que ele fez comigo, perto da morte dele, vítima desta herança maldita chamada alcoolismo.
Fui obrigado a fazer muitas coisas contra minha vontade, coisas que criança nenhuma merece. Onde eu errei? Será que eu gostava do que ele fazia comigo? Será que a culpa foi minha? Acaso eu merecia castigo por coisas que ainda viria a fazer? Não sei! E acho que só Deus sabe.
Hoje, durante o almoço, veio-me a ideia de que eu estava aqui pagando pelos erros do meu pai. Se ele tivesse vindo para este lugar ou outro pior, talvez eu não estivesse aqui. E, se estou aqui, hoje, é para que meu filho nunca precise vir para cá. Mas, se precisar, que eu lhe dê todo o apoio que não recebo de meus queridos genitores.
Em resumo: pai ausente, indiferente e injusto, somado a mãe autoritária, histérica e carente, associado a uma tremenda solidão de uma criança/adolescente "esquisito", sem ter com quem contar, só poderia ter um resultado para a equação: um desajustado que acabou punindo aqueles que realmente os ama.
Peço aos irmãos que orem pela dureza de meu coração, que eu abandone o homem velho e surja o novo, que é o que meu Poder Superior quer parar mim.
S.P.H.

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