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quinta-feira, 21 de março de 2013

8.out.2013

Tivemos um dia relativamente tranquilo, não fosse as contrariedades de sempre. Na maioria das vezes, o método chamado de “movimento contrário” é usado de forma truculenta pelos monitores. Inconscientemente, vejo que, no tratamento dos internos, sob a desculpa de usar este método, muitos acabam nos usando como válvula de escape para suas frustrações e neuroses.
Afora isso, a comunidade esteve tranquila, não percebi desavenças nem bate-bocas. os momentos de comunhão foram agradáveis.
Tive o retorno do “Porque estou aqui” e recebi alguns retornos acerca de minha arrogância e resistência a me submeter às ordens da casa. Meu TR comentou que minha adicção me leva à depressão, do que discordo. Em minhas reflexões, ocorre o inverso: minhas doenças de base, a depressão e a ansiedade, das quais me trato há mais de 10 anos é que me levam à adicção. Submetido a certas situações de estresse, às quais não consigo administrar, bate o transtorno e a fuga é o álcool. Como meu comportamento é compulsivo, acabo bebendo até não aguentar mais. Por fim, retorno á depressão, adicionada ao sentimento de culpa e às consequências materiais de ficar exposto a vários tipos de risco para minha segurança e incômodo para a tranquilidade de minha família.
Não existe Grau Zero de estresse, senão na morte. Mas não sou competente, hoje, para lidar com situações que considero grosseria e intimidação. Além dos conflitos que carrego em minha bagagem de vida, o desafio em lidar com um ambiente estressante é exaustivo.
Continuo acreditando no Amor, no afeto, na doçura, na compaixão, na compreensão, na paciência como fatores básicos para a educação. Estudei num colégio de freiras beneditinas, cujo método disciplinar se assemelhava muito ao daqui do Retiro. Foram 10 anos que, ao invés de ajudar-me a construir minha autoestima, só agravaram  meus desnorteamento, pois não recebia o que precisava, nem lá, nem em casa. Faço exceção a um ou outro professor, que me ajudaram bastante a não surtar de vez..
Reviver estes métodos, novamente não está sendo nada agradável e continuo a achar que medidas que visem à transformação de caráter de um adulto devem passar pelo discernimento e pela capacidade em desenvolver uma comunicação respeitosa. Afinal, todos merecem respeito. Eu, inclusive...

Às vezes, alieno-me para não enlouquecer. Em minha mente, em meu pensamento está a liberdade que nenhuma privação, humilhação, grades de ferro ou porta trancada conseguirá interferir. Em meu pensamento, sou livre, mesmo sendo forçado a agir quando, onde e como eu não quero.
Se isso não me levar à esquizofrenia, um mundo além dos muros deste confinamento se abrirão para mim.
S.P.H.

Um comentário:

  1. Todo esse sofrimento um dia vai passar. Não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe

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